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domingo, 3 de junho de 2012

Wonder, R.J. Palatio




Wonder seria uma história simples de um menino que começa o ensino médio, se o protagonista do livro não fosse tão peculiar. Augustos se descreve como um menino comum, ordinário até. Ele gosta de jogar videogames, tomar sorvete, é fanático por Star Wars e tem uma família amorosa como em um comercial de Doriana. Porém, Augustus nasceu com com uma deformação severa no rosto. Logo no primeiro capítulo ele diz "não vou tentar descrever a minha aparência, o que quer que você estiver imaginando, pode ter certeza de que é pior."

Contado em primeira pessoa com diferentes point of view characters (mais uma expressão que não sei dizer em português) Wonder acompanha o primeiro ano de Augustus em uma escola, as dificuldades óbvias que tem, os amigos que faz e como acaba tocando a vida de todos ao seu redor.


Alguns aspectos da realidade de Augustus foram trabalhados com um cuidado especial. Este não é um tema fácil de se abordar e acho que a autora merece um tapinha nas costas por ter se inserido no dia a dia de uma criança com uma condição tão difícil. Augustus sabe do impacto que seu rosto tem nos outros e toda vez que passa por interações com novas pessoas espera os olhares de susto e pena que recebe com reações que variam do estoicismo para a irritação e frustação. É uma situação em que a maioria das pessoas nunca estará e só por esse exercício de empatia, a leitura já compensa.


Dito isso, achei o desenvolvimento raso: todo mundo é muito bonzinho, todo mundo aprende uma grande lição de vida no final. A família de Augustos é linda, amorosa, engraça, funcional, tão doce que dá ânsia de vômito. E a autora usa uns subterfúgios baixos para arrancar emoções do leitor. Sabe aqueles filmes em que o velhinho desencantado com a vida descobre que tem uma doença terminal e reencontra a felicidade só para morrer no final? E aqueles em que o cachorro morre? Mas que todo mundo aprende alguma coisa e aprecia mais a vida depois? Então, é isso aí.


Eu achei uma pena, porque é um tema corajoso, e já que a autora tinha posto o dedinho na lama, que custava enfiar o pé inteiro? 


No final uma boa leitura, que poderia ter sido bem mais desafiadora e interessante, mas que ainda vale a pena para adultos, e que será particularmente interessante para pré-adolescentes.


Ainda sem tradução no Brasil.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Unrest, Michelle Harrison





Um thriler sobrenatural para adolescentes, ou jovens adultos.  É uma bobagem, claro. Mas um bobagem bem bacana.

Faz meses que Elliot não consegue dormir, desde o atropelamento que quase o matou. Em algumas noites ele acorda incapaz de se mover, com figuras sombrias se movendo ao seu redor. Outras noites, ele é quem se move pela casa, enquanto seu corpo continua dormindo. Nos dois casos, ele é atormentado por visões do fantasma da mulher que se matou no seu apartamento. A falta de sono e as visões assustadores vão drenando as forças de Elliot, que cada vez mais se vê como uma sombra do que já foi.

Tentando descobrir se o que está acontecendo com ele são apenas alucinações, como afirmam seu psiquiatra e seu pai, ou se realmente o acidente abriu uma porta para o outro lado, Elliot  vai trabalhar em um museu famoso por casos de assombrações. Ele espera que, se for capaz de ver os fantasmas que assombram o museu, vai ter a prova de que não está ficando louco.

Vamos lá que a ideia não é das mais brilhantes, sinceramente, como que a solução para seus horrores com um fantasma são mais fantasmas? Pessoalmente eu preferiria estar ficando louca, para isso existe o rivotril.

Mesmo assim o livro é bom, as cenas com os fantasmas são assustadoras, e toda a ideia da paralisia do sono e de ser assombrado só quando se está dormindo e ainda sem poder se mexer pertuba o sono de qualquer um.


É uma história para adolescentes: tem o interesse amoroso, reviravoltas mirabolantes, ritmo acelerado e nenhum sexo. Mas tudo está bem amarrado, eu quase não consegui largar o livro até terminar. Também achei a premissa inusitada para um livro para jovens leitores, mercado que anda povoado por distopias bizarras e vampiros sexys.

Algumas das histórias de fantasma mais pertubadoras que eu li nos últimos tempos foram escritas por mulheres, e parece que cada vez mais autoras estão se aproveitando deste filão. Michelle Harris já havia escrito uma história voltada para crianças, 13 tesouros (publicado no Brasil pela Bertrand Brasil) e este é seu primeiro livro para o publico quase adulto. Outra autora infantil que escreveu uma excelente história de fantasmas para adultos é Michelle Paver. Em breve seu Dark Matter deve ser assunto de um retropost por aqui.

Ainda sem tradução no Brasil.