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domingo, 3 de junho de 2012

Gone Girl, Gillian Flynn




Na manhã do seu aniversário de 5 anos de casamento a mulher de Nick desaparece. A polícia imediatamente suspeita dele, afinal o marido é sempre o culpado. Ou não?

Ao longo deste thriller incomum vamos trocando a perspectiva em primeira pessoa de Nick com trechos de um suposto diário de Amy, que contam histórias bem diferentes do que foi o casamento dos dois. A verdade é que nenhum dos dois esposos parece ter uma opinião muito alta do outro.

Tanto Nick quanto Amy são personagens destestáveis, o tipo de pessoa que se você encontra numa festa alega até um piriri brutal para ter uma desculpa para sair de perto. Exatamente por isso o livro é tão bom, mesmo sem ter a menor empatia com os dois você vai querer saber o que está acontecendo.

Contado em um passo rápido bem amarrado e com um texto muitas vezes hilariante, Gone Girl é um livro difícil de largar. A premissa e o desenvolvimento da história são originais para um thriller, um alívio entre tantos livros de detetives e cientistas forenses perseguindo serial killers extravagantes.

Como o livro tem algumas reviravoltas importantes acho melhor não entrar em muitos detalhes para não estragar a graça da leitura. Posso dizer que o final me decepcionou um pouco, parece que depois de um desenvolvimento muito bom a autora se cansou e resolveu terminar logo com a história. Mesmo assim, não foi um desfecho óbvio, o que é bom, e a leitura até lá foi ótima, o que é melhor ainda.

Ainda sem tradução no Brasil.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Unrest, Michelle Harrison





Um thriler sobrenatural para adolescentes, ou jovens adultos.  É uma bobagem, claro. Mas um bobagem bem bacana.

Faz meses que Elliot não consegue dormir, desde o atropelamento que quase o matou. Em algumas noites ele acorda incapaz de se mover, com figuras sombrias se movendo ao seu redor. Outras noites, ele é quem se move pela casa, enquanto seu corpo continua dormindo. Nos dois casos, ele é atormentado por visões do fantasma da mulher que se matou no seu apartamento. A falta de sono e as visões assustadores vão drenando as forças de Elliot, que cada vez mais se vê como uma sombra do que já foi.

Tentando descobrir se o que está acontecendo com ele são apenas alucinações, como afirmam seu psiquiatra e seu pai, ou se realmente o acidente abriu uma porta para o outro lado, Elliot  vai trabalhar em um museu famoso por casos de assombrações. Ele espera que, se for capaz de ver os fantasmas que assombram o museu, vai ter a prova de que não está ficando louco.

Vamos lá que a ideia não é das mais brilhantes, sinceramente, como que a solução para seus horrores com um fantasma são mais fantasmas? Pessoalmente eu preferiria estar ficando louca, para isso existe o rivotril.

Mesmo assim o livro é bom, as cenas com os fantasmas são assustadoras, e toda a ideia da paralisia do sono e de ser assombrado só quando se está dormindo e ainda sem poder se mexer pertuba o sono de qualquer um.


É uma história para adolescentes: tem o interesse amoroso, reviravoltas mirabolantes, ritmo acelerado e nenhum sexo. Mas tudo está bem amarrado, eu quase não consegui largar o livro até terminar. Também achei a premissa inusitada para um livro para jovens leitores, mercado que anda povoado por distopias bizarras e vampiros sexys.

Algumas das histórias de fantasma mais pertubadoras que eu li nos últimos tempos foram escritas por mulheres, e parece que cada vez mais autoras estão se aproveitando deste filão. Michelle Harris já havia escrito uma história voltada para crianças, 13 tesouros (publicado no Brasil pela Bertrand Brasil) e este é seu primeiro livro para o publico quase adulto. Outra autora infantil que escreveu uma excelente história de fantasmas para adultos é Michelle Paver. Em breve seu Dark Matter deve ser assunto de um retropost por aqui.

Ainda sem tradução no Brasil.

Company of Liars, Karen Maitland


 

Achar um romance histórico que preste é complicado. A grande maioria ou é um macho show de espadas, guerreiros e intrigas, ou é um mimimi de donzelas em vestidos esvoaçantes percorrendo castelos em busca do amor. Em ambos os casos muito sexo é impressindível. Tendo isto em mente, Company of liars não deixa de ser uma boa surpresa: uma mistura de roadtrip mediaval, com uma pitada de O caso dos sete negrinhos, um punhado de sobrenatural e mais do que um aceno para Chaucer. 

Passado na Inglaterra medieval, durante a chegada da primeira Peste Negra, Company of Liars segue um grupo de  9 pessoas, que se juntaram para ter proteção nas estradas enquanto viajam pelo país, tentando ganhar a vida e fugir da Peste. O narrador Camelot, um mascate especializado em itens religiosos, Os musicos Rodrigo e Jofrei, O mágico Zophiel, o pintor Osmond e sua mulher grávida, Adela, o contador de histórias Cygnus, a curandeira Pleasance e a sinistra Narigorm, uma jovem albina vidente, de 12 anos.

Existe um sensação de ameaça que permeia o livro, mas ele não tem grandes eventos. Boa parte da tensão é proporcionada pelos atritos que vão surgindo entre os personagens e uma das grandes motivações para continuar lendo é descobrir qual é o grande segredo (ou a mentira do título) de cada um dos viajantes. Eu gostei de ter um ponto de vista pebleu da idade média e sempre há um prazer voyeur em acompanhar personagens normais cuidadando de seus dia a dias em um outro momento histórico. Porém, a reconstrução de época não foi tão bem cuidada quanto eu esperava e, em mais de um momento, até eu, com um conhecimento no máximo anedotico na idade média disse balela. 

A questão do sobrenatural é um item interessante, e eu adoraria se a Narigorm fosse mais malevolente, ou com propósitos mais claros, ou mais inocente porém incapaz de controlar seus poderes e impulsos. Sei lá, praticamente qualquer coisa menos a maneira como ela foi retratada.

No final na escala seriedade é leitura de praia média, O que não quer dizer que seja ruim.  É envolvente e dá vontade de chegar no final. E depois você esquece.


Ainda sem tradução no Brasil.